Artigos
Quanto custa manter um aplicativo
A conta do aplicativo não termina no lançamento. Este texto separa o que é custo fixo, o que varia com o uso e o que é trabalho recorrente, e explica por que as porcentagens que circulam por aí não ajudam muito.
6 min de leitura
Existe um número repetido em artigos sobre o assunto: "a manutenção custa de tantos a tantos por cento do desenvolvimento". O problema é que as porcentagens citadas variam muito de uma fonte para outra e quase nunca dizem se falam ao mês ou ao ano. Como estimativa, isso é pouco útil. Faz mais sentido separar a conta em três partes, porque cada uma se comporta de um jeito.
1. Custos fixos de estar publicado
Para o aplicativo continuar disponível, existem custos que independem de qualquer evolução: o programa de desenvolvedor da Apple é cobrado por ano, e a conta de desenvolvedor do Google exige uma taxa de cadastro. Os valores vigentes estão nas páginas oficiais das duas empresas e são pagos diretamente a elas. Some a isso o domínio e eventuais certificados, se o produto tiver uma parte web.
2. Infraestrutura, que varia com o uso
Servidor, banco de dados, armazenamento de arquivos, envio de notificações e e-mails. Para um aplicativo começando, costuma ser um custo modesto; em muitos casos cabe nas camadas gratuitas ou baratas dos serviços de nuvem. O ponto de atenção é que essa conta cresce com o sucesso: mais usuários, mais dados, mais tráfego. Vale conhecer a curva antes, para não ser surpreendido no mês em que o produto der certo.
3. Trabalho recorrente, que é o custo real
É aqui que está a maior parte do valor, e é a parte que as porcentagens tentam capturar. Todo ano a Apple e o Google lançam versões novas dos sistemas, mudam regras de privacidade e passam a exigir que os aplicativos sejam compilados com ferramentas mais recentes. Bibliotecas usadas pelo aplicativo evoluem, e algumas deixam de ser mantidas. Aparelhos novos chegam com telas de proporções diferentes. Nada disso é pedido de funcionalidade: é o custo de continuar existindo.
- Atualizações obrigatórias de plataforma: acompanhar as exigências anuais das lojas para o aplicativo continuar publicado e atualizável.
- Atualização de bibliotecas: manter as dependências em dia, inclusive por segurança.
- Correção de defeitos: o que só aparece com uso real, em aparelhos reais.
- Monitoramento: acompanhar erros e travamentos em produção, para descobrir antes de o usuário reclamar.
- Pequenas evoluções: ajustes pedidos por quem usa, que mantêm o produto vivo.
Formatos de contratação da manutenção
- Por demanda: você aciona quando precisa e paga pelas horas. Sai barato quando o app é estável; é arriscado quando algo urgente acontece e ninguém tem o contexto carregado.
- Pacote mensal de horas: um volume combinado por mês, usado em correções e pequenas evoluções. Dá previsibilidade para os dois lados.
- Ciclos de evolução: períodos definidos para construir funcionalidades novas, separados da manutenção corretiva.
Como planejar isso no orçamento
Ao contratar o desenvolvimento, pergunte desde o início como será a manutenção: quem responde por ela, em qual formato e com qual tempo de resposta. Peça que o fornecedor liste o que considera manutenção e o que considera evolução, porque é nessa fronteira que nascem as discussões. E garanta que o código, as chaves e as contas das lojas estejam no nome da sua empresa: é isso que permite trocar de fornecedor sem perder o produto.
Perguntas frequentes
Se ninguém mexer no aplicativo, ele para de funcionar?
Não de um dia para o outro, mas o cerco se fecha. As lojas passam a exigir que novas versões sejam compiladas com ferramentas mais recentes, serviços integrados descontinuam versões de API e sistemas novos mudam comportamentos. Um aplicativo parado continua instalado, mas envelhece, e a conta para voltar a mexer nele cresce com o tempo.
Dá para manter o aplicativo com o time interno da empresa?
Sim, e em muitos casos é o melhor caminho. Para isso o projeto precisa ser entregue de forma legível: arquitetura clara, documentação das decisões e testes nos fluxos críticos. Vale exigir isso do fornecedor desde o contrato, porque um produto não deve ficar refém de uma pessoa só.
Continue lendo
- Desenvolvimento de aplicativos
Inclui a evolução de apps que já estão em produção.
- Quanto custa desenvolver um aplicativo?
A conta da primeira versão.
- Preços
Valores de referência de hospedagem e manutenção.
Solicitar orçamento
Quer aplicar isso ao seu projeto?
Conte o que o aplicativo precisa fazer. A primeira conversa é sem custo.